´Stando Dona Felesmina
No seu valcão assentada,
Com peinte d´oiro na mão
Seu cavelo peintiaba.
Tchigou lá um suldadinho,
Logo l´apretou a mão;
- Se tu quer´s, ó suldadinho,
É agora ocasião.
Meu marido num stá cá,
Stá p´rá serra do Marão;
Se tu quer´s qu´êle num benha,
Deita-l´uma maldição.
- O´corbos, tirai-l´os olhos,
As asas ao coração.
Eles com esta combersa,
Seu marido a tchigar.
- Tu que tens, o Felismina?
Stás tão desafigurada?
- Isto é uma dor de dentes,
Que me trás atrumentada.
- De quem é aquele cabalo
Qu´ali staba aparelhado?
- É do meu mano mais novo;
Bai p´rá tropa, é suldado.
- De quem é aquele punhal?
É bordado no bordão.
- Pega nele, meu marido,
Spteta-mo no coração.
- Num te mato, Felesmina,
Mate-te quem te criou;
Isto p´ra que teu pai saiba
A mulher que m´intregou.
Conto popular que consta do " Romanceiro Português ", de José Leite de Vasconcelos, Porto, 1958 e incluído na " Monografia de Resende", de Joaquim Caetano Pinto, Braga, 1982.
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
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